Matéria: Doenças Hematopoléticas

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Matéria: Doenças Hematopoléticas

Mensagem por Agnes em Sex Dez 09, 2016 4:39 pm

DEFINIÇÃO E ETIOLOGIA

Anemia é uma doença crônica causada pela insuficiência de glóbulos vermelhos no sangue. Também chamados de hemácias, eles têm a função de transportar o oxigênio dos pulmões para todas as células do corpo. Quando se encontram abaixo do nível normal, essa capacidade é afetada, com prejuízo para todo o organismo.

ETIOLOGIA

Os principais fatores que levam a anemia são:

Deficiência na produção de glóbulos vermelhos e hemoglobina – típica das anemias hipoproliferativas, sendo as principais:

- Anemia aplástica – caracterizada pela incapacidade da medula óssea de produzir um número suficiente de células geradoras de hemácias (reticulocítos). A depressão da medula óssea pode ser congênita ou adquirida. A adquirida pode resultar de agressão por medicamentos (por exemplo: Clorafenicol, Hidantal, Butazona e os Sais de Ouro), exposição de substâncias químicas (principalmente ao Benzeno e seus derivados), radiações ionizantes (raio x e radioterapia) e idiopáticas.

- Anemia ferropriva – ocasionada por deficiência de ferro, elemento fundamental na composição de hemoglobina. Suas causas principais são: deficiência, alterações na absorção de ferro, aumento na secreção de ferro (geralmente por lesões no tubo gastrointestinal, metrorragias e ancilostomíase).

- Anemia por deficiência de B12 – ocasionada por deficiência dessa vitamina, geralmente causada pela falta do fator intrínsico (substância do suco gástrico), indispensável à absorção intestinal daquela vitamina.

- Anemia por deficiência de ácido fólico – devida à carência na dieta alimentar, alterações na absorção, necessidades aumentadas (durante gestação, crescimento e terapêuticas com anticonvulsivantes).

DESTRUIÇÃO EXAGERADA DE ERITRÓCITOS

Não é compensada pela eritropoese medular, típica das anemias hemolíticas (hemo=hemácia; lise=quebra). Pode ser hereditária ou adquirida. As principais são:

- Anemia falciforme – de caráter hereditário, predomina na raça negra e caracteriza-se pela produção de hemácias com hemoglobina defeituosa, o que determina o formato de foice do eritrócito (célula falciforme), sempre que o organismo é submetido a situações de hipóxia (infecções, desidratação, grandes altitudes, etc.)
- Anemia hemolítica auto-imune – caracterizada pela destruição de hemácias por anticorpos, produzidos pelo próprio indivíduo contra substância de suas hemácias (antígenos). Pode ser secundária a outras doenças crônicas (neoplasias, lúpus eritematoso sistêmico, mononucleose infecciosa, etc), e/ou idiopática (de causa desconhecida ou de causa não associada a nenhuma outra doença).

FISIOPATOLOGIA:Considerando os diferentes tipos de Anemia descritos na Etiologia, observa-se que ela reflete tanto uma falha da medula óssea na produção de eritrócitos, como uma perda ou destruição excessiva destes, ou ambas as coisas. Uma quantidade menor de eritrócitos e/ou a taxa de hemoglobina reduzida diminui a capacidade de transporte de oxigênio, ocasionando hipóxia celular, o que leva o organismo a reagir através de uma série de medicamentos. As manifestações clínicas refletem esses mecanismos de ajustamento, associados aos efeitos de hipóxia celular, e as principais entre elas são: taquicardia, taquipnéia, aumento do débito cardíaco, palidez, fadiga, sonolência, dificuldade de concentração eindiferença.A deficiência de ferro e de vitaminas como a B12 e o ácido fólico, leva a alterações tróficas,principalmente da mucosa oral (glossite, ulcerações, etc.) e das unhas (finas e esponjosas), e àperversão do apetite, ou seja, desejo de comer sustâncias incomuns(terra, reboco, arroz cru, pó decafé, etc.). Quando há hemólise, observa-se além dessas manifestações, a presença de icterícia(coloração amarelo-alaranjada da pele e mucosas) – devida ao aumento de bilirrubina na correntesanguínea – e de hemoglobinúria (hemoglobina na urina) e hemorragias intra articulares.

CAUSAS

• Presença de genes que alteram a formação das hemácias;
• Morte prematura dos glóbulos vermelhos devido a:

- Fatores hereditários;
- Problemas no sistema imunológico;
- Reação a certos medicamentos.

• Deficiência de vitamina B12 devido a:

- Problemas de digestão;
- Problemas de absorção de vitamina B12;
- Dieta pobre em carne, ovos e derivados do leite.

• Problemas na medula óssea (responsável pela manutenção da quantidade de hemácias no
sangue) devido a:

- Anomalias genéticas;
- Infecções virais (como hepatite tipo A, B ou C)
- Exposição a radiações ou ambientes tóxicos.

SINTOMAS

• Fadiga;
• Fraqueza muscular;
• Taquicardia;
• Palidez cutânea escleróticas ictéricas;
• Sangramento na boca e gengivas;
• Vertigens e náuseas;
• Febres;
• Unhas fracas;
• Perturbação da visão – visão turva;
• Perdas de peso e diarréia.
• Colúria

CUIDADOS GERAIS DE ENFERMAGEM NAS ANEMIAS

• Avaliar constantemente a função cardíaca.
• Verificar presença de parestesmas, formigamento em dedos das mãos e pés.
• Avaliar nível de confusão mental.
• Verificar presença de náuseas e vômito, diarréia, anorexia e glossite (inflamação da língua).
• Administrar medicação conforme prescrito, atentando para os analgésicos narcóticos que
possam causar dependência.
• Incentivar períodos de repouso e compreensão familiar.
• Verificar sinais como taquicardia e pulso rápido e filiforme.
• Orientar o paciente para uma ingestão alimentar adequada.
• Avaliar a intensidade e localização da dor (articulações e extremidades, tórax e abdome).
• Incentivar a ingestão de líquidos.
• Posicionar cuidadosamente as áreas doloridas, incentivar o uso de técnicas de relaxamento.
• Incentivar a deambulação precoce.

LEUCEMIA

As características da leucemia são a proliferação ou o acúmulo de leucócitos na medula óssea, que substitui os elementos normais medulares. Também há proliferação no fígado, no baço, nos linfonodos e invasão de órgãos não hematológicos, como as meninges, o trato gastrintestinal e os rins e a pele. Com freqüência, as leucemias são classificadas de acordo com a linhagem celular afetada em linfocíticas e mielocíticas; e segundo a maturidade das células malignas.

LEUCEMIA MIELOCÍTICA AGUDA

A leucemia mielocíticas (LMA) afeta a célula hematopoiética que se diferencia em todas as células mielóides: monócitos, granulócitos (basófilos, eosinófilos, neutrófilos), eritrócitos e plaquetas. Todos os grupos etários são afetados; a incidência aumenta com a idade sendo a leucemia não-linfocítica mais comum.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Muitos dos sinais e sintomas derivam de produção insuficiente de células sanguíneas normais. A granulocitose determina vulnerabilidade à infecção; a anemia causa fraqueza e fadiga; a trombocitopenia determina tendências hemorrágicas. A proliferação de células leucêmicas nos órgãos provoca vários outros sintomas: dor no fígado ou baço volumoso; linfadenopatia; cefaléia ou vômito secundários à leucemia meníngea (comum na leucemia linfocítica); e dor óssea, devido e expansão muscular. O início geralmente é insidioso, com os sintomas surgindo em um período de 1 a 6 meses. O sangue periférico apresenta diminuição no número de hemácias e plaquetas.

LEUCEMIA LINFOCÍTICA AGUDA

Acredita-se que a leucemia linfocítica aguda (LLA) é uma proliferação maligna de linfoblastos, muito comum em crianças pequenas, sendo os homens mais afetados do que as mulheres e ocorre um pico de incidência aos 4 anos de idade. A LLA é incomum depois dos 15 anos.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Os linfócitos imaturos proliferam na medula óssea e no tecido periférico, congestionando o desenvolvimento celular normal. Como resultado da proliferação de células malignas na medula, a hematopolese normal é inibida, surgindo leucopenia, anemia e trombocitopenia. O número de eritrócitos e plaquetas é reduzido, as leucometrias podem ser reduzidas ou elevadas, mas sempre incluem células imaturas. As manifestações do infiltrado leucêmico em outros órgãos são mais comuns na LLA do que em outros tipos de leucemia.

CUIDADOS DE ENFERMAGEM NAS LEUCEMIAS

• Estar atento para sinais de infecção: febre, rubor e calor.
• Verificar sinais de fadiga e risco de sangramentos.
• Incentivar a ingesta alimentar, pois a quimioterapia reduz o apetite.
• Melhorar a auto-imagem do paciente, em função da alopecia.
• Obter e manter conforto ao paciente.
• Realizar higiene oral freqüente.
• Cuidados extremos na administração de quimioterapia (drogas vesicantes).
• Se houver extravasamento, interromper a infusão e comunicar o médico imediatamente.
• Estar atento para sintomas como náuseas e vômitos.
• Administrar antieméticos conforme prescrito.
• Explicar ao paciente as causas da debilidade e fadiga.
• Elevar a cabeceira da cama para reduzir cefaléia.
• Administrar rigorosamente os analgésicos prescritos
• Manter grades no leito.
• Evitar administração de medicação intramuscular.
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